Santa Cruz Ocean Spirit: respescagens dominam o dia

25 de julho de 2018

Naquele que foi o quarto dia do Noah Eurosurf Junior 2018, as baterias continuaram a decorrer no palanque secundário, a norte da praia do Mirante. As ondas teimam em não crescer em Santa Cruz, dificultando o avanço das provas desta competição que, integrada no Santa Cruz Ocean Spirit, irá sagrar os jovens campeões europeus de surf, longboard e bodyboard, atribuindo ainda o título às seleções.

O dia arrancou com rondas de surf do quadro principal em que alinhou o único português na água nesta quarta-feira. Na categoria Sub-18 Masculino, Salvador Couto fez uma pontuação de 7.50, não escapando à ronda de repescagem que viria a acontecer ao final da tarde, depois de um largo período de espera por uma nova chamada.

O atleta português havia de passar à próxima fase em primeiro na sua bateria (7.67), à frente de Jack Scott (5.67), Eli Perrin Davies (4.20) e Brage Jorgensen (3.17). Salvador Couto volta a entrar na água amanhã, alinhado no mesmo heat que Max Michalewski, Nikita Avdeev e Jaas Roeper.

O Noah Eurosurf Junior 2018 prosseguiu com as segundas fases dos quadros de repescagem das categorias de Surf Sub-16, Surf Sub-18 masculino, Surf Sub-14 e Bodyboard Sub-18 feminino. Para amanhã, o check-in está marcado para as 7h30, com o dia a ser inteiramente dedicado ao quadro de repescagens de todas as categorias.

Ondas de superação

Enquanto os atletas em competição se iam sucedendo nos heats que marcaram a manhã, era a vez de outras pranchas entrarem em ação, um pouco mais a sul, junto à Aldeia Neptuno. “Queremos e transformamos, julgamos nós, o surf num desporto democrático” afirmou Nuno Vitorino, presidente da SURFaddict – Associação Portuguesa de Surf Adaptado, no decorrer de uma atividade de surf adaptado que demonstrou que as limitações físicas não têm de ser um impedimento à prática do surf.

“Fazer com que as deficiências não sejam impedimentos à prática desportiva” é o grande objetivo da associação, que levou para a água 14 alunos da APECI – Associação Para a Educação de Crianças Inadaptadas. Sónia Costa, técnica de educação especial da instituição, acompanhou o grupo e explicou como as experiências foram vividas: alguns estreantes conseguiram “superar o medo”, enquanto os que já haviam surfado noutros anos conquistaram o sentimento de “conseguir fazer mais”.

Segundo Nuno Vitorino, o processo de implementação da atividade é “complexo”. São necessárias licenças e seguros específicos, além de “conhecimento sobre como colocar diversos tipos de patologia dentro de água, um trabalho prévio de muita pesquisa, conhecimentos de suporte básico de vida e de primeiros socorros e conhecimento do corpo e de como se comporta dentro de água.”

Requisitos cumpridos pela equipa da SURFAddict, que marcou presença pela quarta vez no Festival Internacional de Desportos de Ondas. “Temos tido uma ótima parceria com o Santa Cruz Ocean Spirit e o Município de Torres Vedras, que envolve exatamente isto: proporcionar a todas as pessoas com deficiência a prática do surf.” E o presidente da associação não deixa dúvidas: “Enquanto houver uma pessoa com deficiência em Portugal que não tenha surfado e queira surfar, nós vamos estar lá para colocá-la dentro de água.”