Aviões de papel e “festa” estragada: activistas interrompem discurso de Costa

22 de abril de 2019

Ironia do destino: na festa de aniversário do PS em que o homenageado era Alberto Martins, o presidente da Associação Académica de Coimbra que pediu a palavra a Américo Thomaz, um jovem de barbas quis tomar a palavra enquanto António Costa discursava. Foi tirado do palco em meio minuto.
António Costa arregalou os olhos quando um jovem de barbas lhe puxou o microfone e tentou tomar a palavra, mal o líder do PS começava a discursar. Aviões de papel voavam na sala da antiga Feira Internacional de Lisboa, à Junqueira, onde se comemoravam os 46 anos do partido, e um grande cartaz dizia ao que vinha, ele e outros três: “Mais aviões só a brincar”.

A ironia não podia ser maior: aquela era também uma cerimónia de homenagem a Alberto Martins, o histórico líder da Associação Académica de Coimbra que pediu a palavra a Américo Thomaz, a 17 de Abril de 1969, e lhe foi recusada. Foi o deflagrar da crise académica de 1969, já considerada a antecâmara do 25 de Abril, que havia de acontecer cinco anos depois. Antes do jantar, em conversa com o PÚBLICO, Alberto Martins tinha já dito o que a crise académica de 1969 podia ensinar ao presente: “Só quem compreende o passado pode sonhar e construir o futuro”.

“A luta pela liberdade e pela democracia faz-se todos os dias”, afirmou António Costa no púlpito onde os jovens activistas não chegaram a ter oportunidade de falar.

Mal saíram de cena, retirados pelos seguranças, o secretário-geral do PS começou por lembrar que o jantar servia para assinalar “três momentos fundamentais” da luta pela liberdade: o meio século da crise coimbrã, os 46 anos do PS e os 45 do 25 de Abril. “Em todas as gerações houve socialistas na primeira linha do combate pela liberdade”, uma “luta que continua porque há sempre novas ameaças à democracia e à liberdade”, frisou.

Sempre em tom de campanha eleitoral, António Costa sublinhou a importância de “dar força ao PS”. “Não é só nas eleições regionais da Madeira, que vamos ganhar pela primeira vez, não é só em Outubro, quando ganharmos as legislativas. Precisamos de dar força ao PS já nas europeias, onde temos de ter uma grande vitória do PS”, defendeu.

Leonete Botelho

22 de Abril de 2019, 21:52